segunda-feira, 11 de abril de 2011

O sol que não nasce para Aparecidinha


Há tempos questiono o descaso com que é tratado o importante núcleo histórico de Aparecidinha. É inconcebível o fato de Sorocaba possuir um distrito com tanto potencial turístico e não explorá-lo em benefício da própria população local que sobrevive à míngua com a falta de atenção do poder público. Um Núcleo Histórico que em questão de pouco tempo só será lembrado graças à placa que assim o qualifica, logo à entrada do bairro. Um cenário pitoresco que melhor seria aproveitado se a política de revitalização e “plantação” de grama se estendesse até lá, de joelhos para pagar promessas de campanha. Antes disso, o distrito da Aparecidinha recebe em seus arredores indústrias, penitenciárias, unidades da Febem... Na contramão da evolução do pensamento humano que prioriza agora a preservação ambiental e do patrimônio histórico, o que se vê naquele local é o abandono. O turismo religioso e rural, tão em voga e com todas as atenções a eles voltadas, incluindo a política desenvolvida pela Secretaria Estadual de Esportes e Turismo, à qual aparentemente, por analogia partidária, deveria se conduzir a nível municipal as ações voltadas para o desenvolvimento turístico; não recebe a atenção devida. Tal é o disparate que em publicações dessa mesma Secretaria, como é o caso do folheto “Guia do Roteiro da Fé”, a cidade de Sorocaba é excluída. Simplesmente não existe. Enquanto outras se aproveitam de eventos religiosos como Folias de Reis, Procissões, Festas de santos e padroeiros, etc... Sorocaba não aparece como cidade e sim como cabeça da região. Cidades como Mairinque, Tietê, Taguai, Laranjal Paulista, Angatuba, Barra do Chapéu, Pilar do Sul, São Roque... apresentam as suas festas religiosas como “cardápio” turístico. Sorocaba não apresenta nada, muito embora possua Folia de Reis, Festeiros do Divino, a afamada Festa de São Benedito (que atrai Irmandades de muitas outras localidades, incluindo da Capital), a concorrida visita ao túmulo de João de Camargo e da menina Julieta durante o dia de Finados, Encenação da Paixão de Cristo na Vila Assis e no Parque Vitória Régia, Benção das Rosas na Festa de Santa Rita de Cássia (Vila Santana), e várias romarias para Aparecidinha. Uma delas, é bom frisar, ocorre todo primeiro domingo de cada mês e o grupo de romeiros que realiza esse percurso representou Sorocaba o ano passado[i] no evento “Revelando São Paulo”, ocorrido em setembro no Parque da Água Branca, na Capital. Então, não é por desconhecimento que Sorocaba não desenvolve o seu turismo religioso. É por descaso, desprezo. Outras romarias importantes e de grande afluxo de pessoas ocorre em Aparecidinha: a romaria da Penitência (todo dia 15 de novembro) e as duas principais, quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida deixa seu santuário e permanece na Catedral Metropolitana por alguns meses e o retorno dessa mesma imagem. Localizada no Vale do Médio Tietê, a cidade de Sorocaba deveria liderar o turismo regional, produzindo o marketing turístico, “vendendo” os produtos do Vale. O cururu, por exemplo, é uma manifestação folclórica típica desta região. A devoção ao Divino Espírito Santo, suas festas, irmandades, folias, Pousos... é outra característica marcante no Vale do Médio Tietê. Sorocaba tem potencial e infra-estrutura para oferecer serviços e produtos voltados para a implementação desse turismo regional. E mais, Sorocaba pode tornar o distrito de Aparecidinha um pólo atrativo ao turismo. Como? O cenário, como já disse aqui, está praticamente pronto. O que falta é vontade política aliada a parcerias da iniciativa privada. Um exemplo prático: recuperar as fachadas dos prédios históricos daquela localidade e incentivar, com isenção de impostos ou outra alternativa similar, a mudança da fachada das construções modernas assemelhando-as com as do estilo colonial. Nessas últimas casas haveria placa indicativa de que se trata de uma réplica e não de uma construção original. A par disso, explorar o espaço da praça para a realização de eventos artísticos e culturais, como exposições de quadros, artesanatos, apresentações musicais, danças... A fórmula que deu certo em Embu. Depois, ou melhor, concomitantemente, a cessão de terrenos para a iniciativa privada que se interessasse em estabelecer empreendimentos como pousadas, restaurantes, lanchonetes... lembrando que a construção desses prédios deveria seguir o modelo colonial. O resto é pavimentação de paralelepípedos de granito nas ruas e limpeza de resíduos e entulhos (nada além das obrigações do Poder Público). Para incrementar o turismo de Aparecidinha seria de bom alvitre a criação de um Festival de Folclore, como muito sabiamente tem sido criado e apoiado em várias cidades como Batatais, Altinópolis, Aguaí, Olímpia e na Capital paulista, sob a égide de Toninho Macedo, homem de capacidade e sensibilidades ímpares, o Revelando São Paulo. Diversos grupos folclóricos da região sorocabana se apresentam nesses festivais. Por que não iriam comparecer no de Sorocaba? A título de curiosidade, o Festival de Folclore de Olímpia recebe em média o equivalente ao triplo da sua população e o Encontro de Folias de Reis de Altinópolis o dobro. Criou-se agora, aproveitando a febre dos caminhos santos, como sabiamente, outrossim, vem se aproveitando o Estado do Espírito Santo com o caminho “Os passos de Anchieta”; aos moldes do caminho de Santiago de Compostela (na Espanha), o “Caminho do Sol”. Partindo de Santana do Parnaíba o peregrino passará por Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itu, Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Capivari, Rafard, Mombuca, Saltinho e Piracicaba, até atingir Águas de São Pedro. Reparem que Sorocaba não se incluiu na rota. O distrito de Aparecidinha, com todo o seu apelo religioso, com o peso de ser o segundo templo dedicado a Nossa Senhora Aparecida, com o fato de lá se dirigirem milhares de romeiros anualmente; não será visitado pelos caminheiros do “Caminho do Sol”. Interessante é o fato de o lendário Peabiru, o caminho do Sol, passar, em uma de suas rotas principais, por Sorocaba e por, hoje, Araçoiaba da Serra. Nesse novo caminho, nem Nossa Senhora Aparecida foi lembrada. Segundo os organizadores dessa peregrinação, o trajeto foi estudado e mapeado pelo engenheiro agrônomo saltense Sérgio Cieto, para proporcionar aos peregrinos oportunidade de meditação e devoção, que o desenvolveu tendo como objetivo a Capela de Santiago de Compostela, localizada no interior do Horto Florestal de Águas. A imagem – símbolo espiritual do roteiro - está sendo produzida na região da Galícia, na Espanha, e será entronizada no dia 25 de julho, dia dedicado ao santo. O primeiro grupo sairá de Santana do Parnaíba dia 15 de julho e durante aproximadamente dez dias percorrerá o roteiro até Águas de São Pedro. Carregando a imagem de Santiago de Compostela, esses peregrinos pretendem tornar o caminho uma versão paulista do famoso caminho espanhol. Como tudo é possível, esperamos que algum dia Sorocaba se inclua nesse roteiro. Oxalá que o Poder Público municipal, seus conselhos (de cultura, de turismo, de patrimônio histórico...) desperte da letargia e ofereça ao distrito de Aparecidinha a dignidade que ele merece e a oportunidade de se desenvolver e gerar renda (através da venda de produtos artesanais, de doces caseiros, da formação de guias turísticos e guias mirins, da venda de produtos com selos com a imagem de Nossa Senhora Aparecida...) para a esquecida população daquele distrito. E que o sol do caminho brilhe por lá também. CARLOS CARVALHO CAVALHEIRO 18.06.2002.

O sol que não nasce para Aparecidinha

Há tempos questiono o descaso com que é tratado o importante núcleo histórico de Aparecidinha. É inconcebível o fato de Sorocaba possuir um distrito com tanto potencial turístico e não explorá-lo em benefício da própria população local que sobrevive à míngua com a falta de atenção do poder público. Um Núcleo Histórico que em questão de pouco tempo só será lembrado graças à placa que assim o qualifica, logo à entrada do bairro. Um cenário pitoresco que melhor seria aproveitado se a política de revitalização e “plantação” de grama se estendesse até lá, de joelhos para pagar promessas de campanha. Antes disso, o distrito da Aparecidinha recebe em seus arredores indústrias, penitenciárias, unidades da Febem... Na contramão da evolução do pensamento humano que prioriza agora a preservação ambiental e do patrimônio histórico, o que se vê naquele local é o abandono. O turismo religioso e rural, tão em voga e com todas as atenções a eles voltadas, incluindo a política desenvolvida pela Secretaria Estadual de Esportes e Turismo, à qual aparentemente, por analogia partidária, deveria se conduzir a nível municipal as ações voltadas para o desenvolvimento turístico; não recebe a atenção devida. Tal é o disparate que em publicações dessa mesma Secretaria, como é o caso do folheto “Guia do Roteiro da Fé”, a cidade de Sorocaba é excluída. Simplesmente não existe. Enquanto outras se aproveitam de eventos religiosos como Folias de Reis, Procissões, Festas de santos e padroeiros, etc... Sorocaba não aparece como cidade e sim como cabeça da região. Cidades como Mairinque, Tietê, Taguai, Laranjal Paulista, Angatuba, Barra do Chapéu, Pilar do Sul, São Roque... apresentam as suas festas religiosas como “cardápio” turístico. Sorocaba não apresenta nada, muito embora possua Folia de Reis, Festeiros do Divino, a afamada Festa de São Benedito (que atrai Irmandades de muitas outras localidades, incluindo da Capital), a concorrida visita ao túmulo de João de Camargo e da menina Julieta durante o dia de Finados, Encenação da Paixão de Cristo na Vila Assis e no Parque Vitória Régia, Benção das Rosas na Festa de Santa Rita de Cássia (Vila Santana), e várias romarias para Aparecidinha. Uma delas, é bom frisar, ocorre todo primeiro domingo de cada mês e o grupo de romeiros que realiza esse percurso representou Sorocaba o ano passado[i] no evento “Revelando São Paulo”, ocorrido em setembro no Parque da Água Branca, na Capital. Então, não é por desconhecimento que Sorocaba não desenvolve o seu turismo religioso. É por descaso, desprezo. Outras romarias importantes e de grande afluxo de pessoas ocorre em Aparecidinha: a romaria da Penitência (todo dia 15 de novembro) e as duas principais, quando a imagem de Nossa Senhora Aparecida deixa seu santuário e permanece na Catedral Metropolitana por alguns meses e o retorno dessa mesma imagem. Localizada no Vale do Médio Tietê, a cidade de Sorocaba deveria liderar o turismo regional, produzindo o marketing turístico, “vendendo” os produtos do Vale. O cururu, por exemplo, é uma manifestação folclórica típica desta região. A devoção ao Divino Espírito Santo, suas festas, irmandades, folias, Pousos... é outra característica marcante no Vale do Médio Tietê. Sorocaba tem potencial e infra-estrutura para oferecer serviços e produtos voltados para a implementação desse turismo regional. E mais, Sorocaba pode tornar o distrito de Aparecidinha um pólo atrativo ao turismo. Como? O cenário, como já disse aqui, está praticamente pronto. O que falta é vontade política aliada a parcerias da iniciativa privada. Um exemplo prático: recuperar as fachadas dos prédios históricos daquela localidade e incentivar, com isenção de impostos ou outra alternativa similar, a mudança da fachada das construções modernas assemelhando-as com as do estilo colonial. Nessas últimas casas haveria placa indicativa de que se trata de uma réplica e não de uma construção original. A par disso, explorar o espaço da praça para a realização de eventos artísticos e culturais, como exposições de quadros, artesanatos, apresentações musicais, danças... A fórmula que deu certo em Embu. Depois, ou melhor, concomitantemente, a cessão de terrenos para a iniciativa privada que se interessasse em estabelecer empreendimentos como pousadas, restaurantes, lanchonetes... lembrando que a construção desses prédios deveria seguir o modelo colonial. O resto é pavimentação de paralelepípedos de granito nas ruas e limpeza de resíduos e entulhos (nada além das obrigações do Poder Público). Para incrementar o turismo de Aparecidinha seria de bom alvitre a criação de um Festival de Folclore, como muito sabiamente tem sido criado e apoiado em várias cidades como Batatais, Altinópolis, Aguaí, Olímpia e na Capital paulista, sob a égide de Toninho Macedo, homem de capacidade e sensibilidades ímpares, o Revelando São Paulo. Diversos grupos folclóricos da região sorocabana se apresentam nesses festivais. Por que não iriam comparecer no de Sorocaba? A título de curiosidade, o Festival de Folclore de Olímpia recebe em média o equivalente ao triplo da sua população e o Encontro de Folias de Reis de Altinópolis o dobro. Criou-se agora, aproveitando a febre dos caminhos santos, como sabiamente, outrossim, vem se aproveitando o Estado do Espírito Santo com o caminho “Os passos de Anchieta”; aos moldes do caminho de Santiago de Compostela (na Espanha), o “Caminho do Sol”. Partindo de Santana do Parnaíba o peregrino passará por Pirapora do Bom Jesus, Cabreúva, Itu, Salto, Indaiatuba, Elias Fausto, Capivari, Rafard, Mombuca, Saltinho e Piracicaba, até atingir Águas de São Pedro. Reparem que Sorocaba não se incluiu na rota. O distrito de Aparecidinha, com todo o seu apelo religioso, com o peso de ser o segundo templo dedicado a Nossa Senhora Aparecida, com o fato de lá se dirigirem milhares de romeiros anualmente; não será visitado pelos caminheiros do “Caminho do Sol”. Interessante é o fato de o lendário Peabiru, o caminho do Sol, passar, em uma de suas rotas principais, por Sorocaba e por, hoje, Araçoiaba da Serra. Nesse novo caminho, nem Nossa Senhora Aparecida foi lembrada. Segundo os organizadores dessa peregrinação, o trajeto foi estudado e mapeado pelo engenheiro agrônomo saltense Sérgio Cieto, para proporcionar aos peregrinos oportunidade de meditação e devoção, que o desenvolveu tendo como objetivo a Capela de Santiago de Compostela, localizada no interior do Horto Florestal de Águas. A imagem – símbolo espiritual do roteiro - está sendo produzida na região da Galícia, na Espanha, e será entronizada no dia 25 de julho, dia dedicado ao santo. O primeiro grupo sairá de Santana do Parnaíba dia 15 de julho e durante aproximadamente dez dias percorrerá o roteiro até Águas de São Pedro. Carregando a imagem de Santiago de Compostela, esses peregrinos pretendem tornar o caminho uma versão paulista do famoso caminho espanhol. Como tudo é possível, esperamos que algum dia Sorocaba se inclua nesse roteiro. Oxalá que o Poder Público municipal, seus conselhos (de cultura, de turismo, de patrimônio histórico...) desperte da letargia e ofereça ao distrito de Aparecidinha a dignidade que ele merece e a oportunidade de se desenvolver e gerar renda (através da venda de produtos artesanais, de doces caseiros, da formação de guias turísticos e guias mirins, da venda de produtos com selos com a imagem de Nossa Senhora Aparecida...) para a esquecida população daquele distrito. E que o sol do caminho brilhe por lá também. CARLOS CARVALHO CAVALHEIRO 18.06.2002.

terça-feira, 22 de março de 2011

VII CONCURSO DE POESIAS "LETRAS DO DIVINO", 2011

Recebi por e-mail e estou repassando aos interessados:
VII CONCURSO DE POESIAS

“LETRAS DO DIVINO” - 2011

REGULAMENTO

1. O VII Concurso de Poesias “LETRAS DO DIVINO”- 2011 é uma iniciativa da Associação Pró-Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém - APRODIVINO, com apoio da Academia Itanhaense de Letras – AIL, que tem como objetivo incentivar a produção literária sobre esse importante e tradicional acontecimento folclórico-religioso da cidade de Itanhaém-SP, que é a sua FESTA DO DIVINO ESPIRITO SANTO.



PARTICIPAÇÃO



2. Poderão participar do Concurso todos os interessados, moradores ou não da cidade de Itanhaém, com exceção dos membros da Academia Itanhaense de Letras e da Diretoria da Associação Pró-Festa do Divino Espírito Santo de Itanhaém.

3. O tema, desenvolvido em poesia, deverá estar ligado à FESTA DO DIVINO ESPÍRITO SANTO DE ITANHAÉM.

4. A participação será em uma só categoria e sem limites de idade.



INSCRIÇÕES


5. As inscrições são gratuitas e estarão abertas entre os dias 21 de março e 13 de maio de 2011. Os trabalhos deverão ser encaminhados para a Secretaria Paroquial, na Praça Carlos Botelho, 115 - Centro - Itanhaém – CEP 11.740-000 - Telefone (13)3422-4029 (13)3422-4029 em horário comercial, pessoalmente ou por correspondência, nesse caso valendo a data de postagem.

6. O ato de participar, com o envio ou entrega de poesias, pressupõe ciência e concordância com este regulamento.

7. Cada participante poderá inscrever até três poesias, que deverão estar datilografadas ou digitadas, numa só face de um papel ofício, em três vias.

8. As obras deverão ser identificadas apenas com um pseudônimo. Elas deverão ser acondicionadas em um envelope grande, tendo dentro desse, outro envelope menor e lacrado, contendo dentro dele os dados do participante como: nome, endereço residencial, nome da escola (se estudante), profissão, pseudônimo adotado e o título das obras, bem como um número telefônico para contato. Por fora dos dois envelopes, deverá estar apenas o pseudônimo.

JULGAMENTO

9. A Comissão Julgadora será composta por membros da Academia Itanhaense de Letras - AIL, que terá toda liberdade para julgar e escolher os melhores trabalhos inscritos no Concurso.

10. As decisões da Comissão Julgadora serão soberanas e irrecorríveis.

PREMIAÇÃO

11. O resultado será divulgado, em cerimônia de premiação, no dia 10 de junho de 2011, às 20h30, na Igreja Matriz de Sant’Anna (Praça Narciso de Andrade – Itanhaém).

12. Serão premiados, com medalhas, os três primeiros colocados.

13. Todos os concorrentes inscritos, antecipadamente, autorizam a publicação de suas obras na forma de mensagens, folhetos, cartões, jornais, livros, camisetas, etc.

14. Os casos omissos serão definidos pelos organizadores.

ITANHAÉM, março de 2011.









segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Descaminho da Era Kadafi


(A bandeira monocromática verde do regime de Kadafi vem sendo substituída pela antiga bandeira da monarquia. Como se chegou a esse retrocesso?)

Por Carlos Carvalho Cavalheiro 22/02/2011 às 22:27



Há algum tempo não se ouvia falar em Muamar Kadafi, o coronel líbio que, aos 27 anos liderou uma revolução de caráter socialista-islâmico pondo fim ao reinado absolutista e corrupto do rei Idris I.


Desde 1951, Idris comandava o país que, a despeito de possuir petróleo, contava com uma população extremamente pobre e uma economia frágil. A renda per capita era estimada, naquela época, em 40 dólares. Liderando um grupo de soldados e oficiais rebeldes, em setembro de 1969, Kadafi liderou uma revolução que mudou os rumos do país e acabou com o reinado de 18 anos de Idris.


Na década de 1970, o mesmo Muamar Kadafi lança "O Livro Verde", no qual expõe suas ideias para a reconstrução de um país baseado em valores como a Democracia direta (sem representantes políticos), o socialismo islâmico e uma nova sociedade pautada pela organização tradicional.


Hoje vemos toda essa História entrando numa espiral de descaminho, se contradizendo e desmentindo sua própria consciência. O mesmo homem que disse: "Nada pode substituir o povo" e que "A democracia é o poder do povo pelo povo"; é o mesmo que autoriza e ordena ataques genocidas a esse mesmo povo quando este ousa exercer o que lhe é mais legítimo: o direito de escolher seu próprio destino!


O sonho da República Livre e soberana se desfaz com a triste realidade que se imprime nos jornais: centenas de pessoas estão sendo mortas na Líbia e já não há como distinguir o atual regime com aquele derrubado na década de 1950.


Através dos ideais da revolução líbia criou-se uma organização intitulada Mathaba, cujo um dos princípios é "prestar solidariedade aos povos que lutam pela sua emancipação".


É o caso de se perguntar: Não passou da hora da Mathaba ajudar a própria Líbia?


Como no livro "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, nos deparamos com a cena em que homens e porcos se juntam e o povo, que a tudo assiste, cria a consciência de que, assim juntos, não há como distingui-los.


22.02.2011.


Carlos Carvalho Cavalheiro


extraído de: http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2011/02/487222.shtml

Poessíntese

Hoje eu descobri o que é Poetrix (um terceto - estrofe de 3 versos - com total máximo de 30 sílabas poéticas). Se bem aprendi, é isso. Acaba lembrando o Hai-Cai, mas é diferente. Há um site do movimento Poetrix, bastante legal: http://www.movimentopoetrix.com/index.php
Arrisquei fazer algo:


Saloon

Dia Nublado...
Garganta e alma secas
No bar, não sei se tomo hai-cai ou poetrix?

28.02.2011


Por outro lado, pensei numa outra forma mais sintética de poesia: a de versos compostos apenas por monossílabos e/ou dissílabos... Os poessínteses... Maravilha que nasceu graças a longa fila de espera num Banco:

Poessínteses


ADILENE
Sei
que
te
amo
mais
do
que
sei
que
sou
o
que
sou.

28.02.2011

A LUA

Sim,
vou
até
o
fim
da
rua
ou
pra
Lua
que
nua
ri
de
mim.
Que
sou
e
amo
o
que
tem
em
si
a
Lua
de
boa
em
mim.
Pois
voa
à
toa
no
céu
tão
em
si,
mas

o
bem
que
faz
em
mim.

28.02.2011

ADILENE II

Pré...
Antes
de
ti
sou
eu

um
em
um
só,
por
não
ter
a
ti
e
ser
dois
em
um
só.

28.02.2011

SOLIDÃO

Sou
tão

que
não
sei
mais
quem
sou.

28.02.2011.


MISTÉRIO

Quem
viu
o
véu
da
Lua?
Quem

seu
ser
ter
o
que
é
o
céu?

mel
tal
como
o
fel?

28.02.2011

domingo, 23 de janeiro de 2011

Por que sou professor?

Algumas pessoas me perguntam: Por que ser professor? Não é uma profissão valorizada (ao menos como deveria ser), nem prestigiada. Nem sempre as pessoas - pais, alunos, colegas... - entendem o seu trabalho e nem o valor de sua dedicação.
Então, por que ser professor? É que, às vezes, surpreendentemente, recebemos a informação de que alguém entendeu o seu trabalho... No dia 27 de dezembro, como presente de Natal (atrasado), recebi da minha aluna Kênia Machado, que se formou em 2010 no Ensino Fundamental, a mensagem que compartilho com vocês. Aí poderão saber porque eu sou professor.


Olá Professor Carlos!


Bom, eu infelizmente não pude te convidar para ser o nosso "paraninfo" na formatura, pois não dependia só de mim, sabe como é né... a sala inteira quem decide!
mas gostaria que soubesse que desde o começo do ano, eu já queria que fosse o senhor.
Pois acho que ninguém melhor para ser o paraninfo de uma sala do que um professor que esteve com a gente desde que entramos para o ginásio, que nos preparou para o vestibulinho, que apostou na gente na Olimpíada de História, que mesmo sabendo que era meio que injusta a olimpíada acreditou em nós!
Não sei se realmente era isso, mas eu via que o senhor gostava da gente, tanto que de uma certa forma conhecia as dificuldade e as facilidades de cada um, sabia até quais eram os grupinhos rsrs.
Olha, você sempre manteve a pose de "durão" com a gente, mas mesmo assim, sabíamos reconhecer a sua maneira de ensinar, eu pelo menos sempre admirei a sua postura! e que postura hein, Prof°.
Aprendi e tenho certeza que todos aprendemos o significado de ética e o que é ser uma pessoa ética, aprendemos que temos no mínimo o direito de vivermos em um ambiente limpo rsrs, aprendemos o que é APOGEU, enfim... foram tantas coisas!
Coisas que o senhor pode ter achado: "duvido que daqui a uma semana eles vão lembrar disso", não professor, levaremos para a vida toda cada palavra que procuramos no dicionário nas suas aulas (ou quase todas), a organização que era bem clara em tudo o que o você fazia!
Muito obrigada professor, por fazer de nós, pessoas de verdade! Obrigada por nos mostrar que temos direitos, por abrir nossos olhos diante da sociedade, por nos preparar para a vida!
Lembro perfeitamente de quando o senhor nos disse: Até aqui e vida é fácil pra vocês, mas a partir do ano que vem vocês vão até assustar, nada vai ser igual, vai ser tudo mais difícil!
É disso que precisamos, era isso que queríamos! e felizmente tivemos o senhor para nos orientar!
Com você enxerguei a sujeira que é a sociedade, e que se não lutar pelo que quero, vou apanhar muito, aprendi também que não posso me deixar abater com as dificuldades e os desafios da vida, pois Deus gosta de guerreiro, ele quer guerreiros, quer que sejamos persistentes e que lutemos pelos nossos objetivos!

Professor, tenho certeza que foi Deus quem te mandou para me dizer aquelas coisas naquele meu momento de fraqueza!

Bom, o que a gente quer dizer, a gente nunca diz realmente... mas eu acho que o principal escrevi aqui!

Muito obrigada professor, não sei você, mas eu te considero meu amigo!
Obrigada por cada conselho, por enxergar quando estava triste e tentar me animar, por fazer parte da nossa historia no Coronel, por ter sido paciente comigo!
enfim, acho que fazer pelo senhor o que você fez por mim não vai ser tão fácil, mas agora que eu já sei que você acredita em mim, eu vou vencer!

Toda a felicidade do mundo para o senhor, você merece,e pra sua esposa também... Um Feliz Natal atrasado e um Próspero ano Novo! Que em 2011 outros alunos tenham a mesma oportunidade que eu tive!

Um forte abraço Kenia!

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Saiu: "O Mistério Revelado" - Jesus dos 13 aos 30 anos




RECLUSÃO DE CRISTO - [ 29/12 ]
Pesquisador lança livro sobre período pouco comentado da vida de Jesus
José Antônio Rosa
Notícia publicada na edição de 29/12/2010 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 1 do caderno B - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Por onde andou e o que fez Jesus dos 13 aos 30 anos de idade? Por que esse período da biografia do símbolo maior do Cristianismo foi tão pouco discutido e dado a público? Quais teriam sido as experiências por ele acumuladas? Para tentar responder a essas e outras tantas perguntas, o pesquisador Carlos Carvalho Cavalheiro debruçou-se durante dois anos sobre textos bíblicos, evangelhos apócrifos e outras fontes às quais teve acesso e produziu “O Mistério Revelado”, seu décimo segundo livro, já disponível para venda.


Estudioso de teologia, Cavalheiro não pertence a denominação religiosa específica, mas assume sua formação evangélica. O tema tratado na obra desde sempre o intrigou, tanto quanto a outros autores que investigaram a quase reclusão do Cristo. Personagem emblemático, daqueles que oferecem múltiplas possibilidades a quem escreve, Jesus inspirou, e ainda inspira, um sem número de versões de sua própria vida. Dele já se contou, seguramente, de tudo um pouco.


Na Bíblia consta que ele nasceu da Virgem Maria, operou milagres, caiu em desgraça com o governo da época que o encarava como uma grave ameaça ao sistema então vigente, foi condenado à morte por crucificação e ressuscitou. Carlos Cavalheiro, no entanto, quis ir além e foi buscar informações sobre o por que de, a partir de certa época, Jesus ter sido relegado ao ostracismo. É curioso, para dizer pouco, que alguém com a importância do filho de Deus, tenha simplesmente desaparecido, sem deixar rastro.


Não foi o que aconteceu, na verdade. Cavalheiro lembra que, antes, aos 12 anos, Jesus Cristo protagonizou a célebre discussão com os doutores, conforme relatado por Lucas. Era costume os pais levarem seus filhos a Jerusalém na Festa da Páscoa. E o mesmo aconteceu com Jesus, que foi para lá e acabou ficando na cidade, sem que José e Maria soubessem. Os dois pensavam que ele tinha seguido viagem de volta com outros do grupo e, ao descobrirem que não, retornaram e o encontraram no templo, ouvindo e interrogando os eruditos, como eram chamados. O então adolescente impressionou a todos por sua inteligência.


A partir daí, Jesus parece ter tomado rumo ignorado. Ou melhor, há quem acredite que teria seguido com destino à Índia e lá se mantido. Carlos Cavalheiro, porém, soma-se aos teóricos que não concordam com essa possibilidade. A tese, argumenta, baseia-se em provas inconsistentes e circunstanciais. “São citações reproduzidas sem aprofundamento”, diz. A versão de que Jesus teria viajado ganhou força no século XIX, a partir de estudos divulgados. Um deles, do russo Nicolau Notovitc, revela que, num monge budista foram encontradas referências sobre o “Santo Issa”, nome dado pelos muçulmanos a Jesus.


Em “O Mistério Revelado”, o escritor alega que o hiato de dezessete anos, tão comentado por seu caráter obscuro, não teria despertado o interesse dos evangelistas, já que nenhum fato mais relevante ocorreu. “Jesus descobriria o seu Ministério aos 30 anos”, diz Cavalheiro. Na prática, portanto, as mais significativas passagens da vida do Messias tiveram lugar desde então. Em três anos, ele esteve à frente dos episódios que transformariam a história da humanidade.


O livro refere que Jesus Cristo viveu, dos 13 aos 30 anos, uma rotina normal. Ajudava o pai na carpintaria e fazia o que jovens de sua idade faziam. Não constam registros de que tivesse se envolvido com mulheres, como sugerido no best-seller “O Código Da Vinci”. “Para muitos, a linha que separa a ficção da realidade, no que se refere a Jesus Cristo, é tênue, mas podemos separar uma coisa da outra”, garante Carlos Cavalheiro. “Essa é uma discussão válida, salutar, que só acrescenta”.


Cavalheiro lembra que, para a sociedade da época, as pessoas com 30 anos eram mais experientes, e se faziam respeitar. “Balzack teria gostado de saber disso, já que usou esse mote para valorizar as mulheres num de seus mais conhecidos romances”, brinca. Ele não considera que o trabalho possa, de alguma forma, comprometer a figura do personagem, ou sua aura de divindade. “Não me parece ser o caso. As pessoas têm muito claro a importância de Jesus. Ademais, a pesquisa só procura apurar o que houve no intervalo de dezessete anos. Eu acredito que tenha colaborado, ainda que em parte, para esclarecer muitas das dúvidas a esse respeito”.


“O Mistério Revelado” (Crearte Editora) pode ser adquirido ao preço de R$ 20, na Livraria Nacional, à rua da Penha, 823. A partir da próxima semana, estará à venda, também, na Pedagógica, à rua Padre Luiz, 235.