segunda-feira, 29 de outubro de 2012

Carlos Cavalheiro e a "Nossa Gente Negra"

 

O escritor e historiador sorocabano Carlos Carvalho Cavalheiro está buscando apoio cultural para publicar o seu 15º livro cujo título é "Nossa Gente Negra".
A obra em questão é uma coletânea de biografias de personalidades negras que participaram da História de Sorocaba. Todos os biografados são falecidos, com exceção de dois, sr. José Marciano e professora Ondina Seabra, cujas biografias foram justificadas pelo histórico de vida de ambos aliado ao fato de terem mais de 80 anos de idade. O senhor José Marciano é o último diretor vivo da primeira diretoria do Clube "28 de Setembro" e a professora Ondina Seabra é possivelmente a última pessoa viva que participou da "Frente Negra" de Sorocaba.
O livro procura trazer a lume histórias de vida que possam servir de exemplos positivos, dentro da perspectiva da Lei 11645/08 (antiga 10639/03) que obriga o ensino da História e cultura afrobrasileira e ameríndia nas escolas. Estão retratados no livro escravizados que lutaram pela liberdade como o Preto Pio e o Generoso; lideranças negras como João de Camargo, Vó Cida da Vila Amélia e Salerno das Neves (este último foi o primeiro presidente da Frente Negra); artistas como o bailarino Maia Júnior, Thereza Marciano (do Coral da Família Marciano e do Salão Afro's) e o cantor Violão; a primeira manequim (modelo) de Sorocaba (a Kal); promotores da cultura popular como Daniel Araújo, João Davi (ambos cururueiros), Josias Alves e Zé Jaú (jogadores de capoeira e pernada) e Ercílio Nazário (folião de Santos Reis); lideranças políticas como o primeiro vereador negro da cidade, Luiz Leopoldino Mascarenhas, conhecido como Luiz Pequeno; carnavalescos como Mestre Lazinho e Vadeco; empresários como Achilles Campolim; intelectuais como Jorge Narciso de Matos, além de tipos populares como o "Ba-ba-bá", a Alzira Sucuri, o Adocicada, Nhá Quitéria e o Dito Vassourinha.
A ideia do livro surgiu no dia 20 de novembro de 2011, durante o final da "Marcha para Zumbi", na Igreja de João de Camargo. "Percebi que se falava muito em Zumbi, mas que não se falava daqueles que ajudaram a construir a História da cidade. Conversando com algumas pessoas, verifiquei que havia um desconhecimento sobre essas histórias e, então, a partir daí tomei isso como um desafio: trazer à tona a história de vida dessas pessoas", justifica Carlos Cavalheiro.
Para a composição do livro o professor Carlos disse que pesquisou em diversas fontes, desde jornais, certidões, documentos diversos e até nos prontuários de cemitérios.
São mais de 20 biografias, a maior parte com fotografias dos referidos personagens.
A diagramação e revisão estão prontas e ficaram à cargo da Editora Crearte. O autor informa que está captando recursos para poder imprimir o livro. "Conseguimos apoio do Sindicato dos Rodoviários e da Paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, mas isso cobre apenas um quinto do montante. Estou apresentando o projeto para Sindicatos, profissionais liberais, comércios em geral, enfim, para quem possa e se interesse em colaborar para a publicação do livro", relata Carlos Carvalho Cavalheiro.
Quem quiser colaborar com a edição desse livro terá o logotipo impresso na capa do livro como apoio cultural. Para tanto, poderá entrar em contato com o autor por meio do telefone (15) 3318 2625 ou por e-mail: carlosccavalheiro@yahoo.com.br

segunda-feira, 15 de outubro de 2012

Reflexões sobre a Lei da Ficha Limpa

Hoje estive refletindo um pouco sobre a Lei da Ficha Limpa... Outro dia escutei o relato de um norueguês que ao conversar com um brasileiro, amigo meu, ficou espantado pelo fato de existir uma lei assim no Brasil. Na pobre cabeça europeia dele não cabia a ideia da necessidade de uma lei que impedisse a candidatura a cargo eletivo de alguém com condenação na Justiça!...
Diante disso, extrai duas frases gestadas na reflexão sobre esse assunto:
 
Ficha Limpa
Num país onde os corruptos são especialistas em lavagem de dinheiro, limpar o nome é "fichinha".
 
A Lei da Ficha Limpa deveria chamar-se Bill of File Clean... Para inglês ver... também...
 
Carlos Carvalho Cavalheiro.
 15/10/2012.

sábado, 29 de setembro de 2012

"João de Camargo" ensina sobre a História dos negros em Sorocaba


                                                                                            Foto: Carlos Carvalho Cavalheiro / 2011

Roteiro turístico acompanhado de personagem histórico. Essa é a fórmula encontrada pela Educar Turismo Pedagógico para ensinar a História dos negros em Sorocaba, dentro da perspectiva da aplicação da Lei 11645/08 (antiga 10639/03) que obriga às escolas o ensino da história e cultura afrobrasileira e indígena.
Criado pelo historiador e professor Carlos Carvalho Cavalheiro, o roteiro "África em nós" foi lançado em outubro de 2011. "É uma alternativa para que as escolas efetivamente trabalhem o tema com seus alunos", salienta o professor Laércio F. Toledo Júnior, diretor executivo da Educar Turismo Pedagógico.
O roteiro do projeto "África em nós" inclui visitas a lugares que salientam e marcam a história e a cultura dos negros no município.
"Aproveitamos os patrimônios, monumentos e lugares que remetem a essa memória, procurando com isso evidenciar a identidade cultural do negro sorocabano em diversos aspectos, sejam históricos, sociais, religiosos ou culturais", destaca Carlos Cavalheiro.
O roteiro pela região central da cidade é guiado por um ator fantasiado de João de Camargo, escolhido como um símbolo da presença do negro na história de Sorocaba. João de Camargo era um religioso negro que em 1906 construiu uma igreja (existente até hoje), dando início a um novo culto que mesclava elementos de cultos africanos com o catolicismo e o espiritismo. O passeio começa no Largo Santo Antônio (ao lado da praça Coronel Fernando Prestes), passa pela rua Nogueira Martins, Praça Carlos de Campos, Mosteiro do São Bento, rua Machado de Assis, visita o Monumento à Mãe Preta, a ONG Quilombinho e termina na Igreja de João de Camargo.
Nesse roteiro, destinado especialmente a alunos do Ensino Fundamental e Médio, os estudantes terão contato com informações sobre diversos aspectos da cultura afrobrasileira em Sorocaba (como o batuque, a umbigada, a pernada, o carnaval, a capoeira), sobre a história, especialmente da escravidão negra, da religiosidade (Irmandade de São Benedito, a Igreja de João de Camargo...), bem como o movimento negro organizado na cidade (Clube "28 de setembro" e Centro Cultural Ong Quilombinho).
O "piloto" do projeto "África em Nós" ocorrerá no próximo sábado, dia 06 de 0utubro de 2012, como encerramento do 1º curso de formação de educadores "RELAÇÕES ÉTNICO-RACIAIS: formação conceitual e prática voltada à compreensão das relações afro-descendentes", realizado pela Ong Quilombinho em parceria com a Prefeitura Municipal de Sorocaba.
Os cursistas desse curso de formação participarão do tour acompanhados do ator e recreacionista Felipe Dias - que interpreta o taumaturgo João de Camargo - e do historiador Carlos Carvalho Cavalheiro, que dará o suporte pedagógico para o roteiro.
 
O início do roteiro será na antiga Igreja de Santo Antonio (hoje demolida) ao lado do Mercado Municipal de Sorocaba, a partir das 14 horas do sábado.
Escolas interessadas em contratar o projeto podem se dirigir à Educar Turismo Pedagógico por meio dos telefones 3237 6342 ou 9700 7662, com Laércio Junior. Ou por e-mail: junior@educarturismo.com.br . O site da Educar é: http://www.educarturismo.com.br/
Os passeios começam em outubro e vão até dezembro deste ano, das 8h às 11h ou das 13h às 16h. São permitidas turmas de 40 alunos por vez. Os alunos recebem alimentação, kit com material educativo e outros itens.

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Por que só a Literatura?

A jornalista Maíra Fernandes, em edição do CRUZEIRO DO SUL de 19 de agosto deste ano, divulgou que o Prêmio Anual de Literatura de 2012 foi supenso, sob a alegação da Prefeitura Municipal de Sorocaba que "em período eleitoral é vedada a distribuição gratuita de bens valores ou benefícios por parte da administração pública, o que inviabiliza, neste momento, a realização do evento".
Pois bem, alguns dias antes houve o Prêmio Sorocaba de Música. Agora, o JORNAL IPANEMA, que circulou no dia 15 de setembro de 2012 (último sábado), trouxe em uma de suas páginas (pág. 2, Espaço empresarial) estampada a notícia do "Concurso Jornalístico e solidário", edição 2012, o qual, segundo a matéria, é realizado pela Prefeitura Municipal de Sorocaba por meio da Secretaria de Comunicação. "A ação - diz a matéria - premia os melhores trabalhos veiculados na mídia local".
Seria muito bom entender, por meio de comunicação da própria Prefeitura Municipal, o porquê do Prêmio de Literatura ser vedado em época eleitoral, sendo que o Prêmio de Música e o Prêmio de Jornalismo continuam ocorrendo?

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Quilombolas do Rio dos Macacos em perigo!

Recebi a mensagem abaixo, por e-mail, de Pedro Abramovay e reproduzo aqui no Blog:

"Caros amigos do Brasil,
Em poucos dias, 200 anos de cultura tradicional podem ser extintos. A comunidade quilombola de Rio dos Macacos na Bahia pode ser expulsa de suas terras para a construção de uma base da Marinha. Mas a solução para o problema está a nosso alcance!

A Marinha do Brasil quer expandir a Base Naval de Aratu a todo custo, mesmo que tenha que devastar uma tradição centenária e expulsar os quilombolas da região. Os pareceres técnicos do governo já afirmaram que os quilombolas têm direito àquela terra, mas eles só têm validade se publicados -- e a lentidão da burocracia pode fazer com que o juiz do caso determine a remoção da comunidade antes que seu direito seja reconhecido. Eles estão com a faca no pescoço e nós podemos ajudar a vencer essa batalha se nos unirmos a essa causa!

Não temos tempo a perder! O juiz decidirá na segunda-feira se retira os quilombolas ou espera a publicação do parecer do governo. A defensoria pública nos disse que somente uma grande mobilização popular pode impedir que a pressão da Marinha prevaleça. Junte-se a essa luta agora, e a Avaaz e o defensor público que defende os quilombolas entregarão a petição diretamente para o juiz quando alcançarmos 50.000 assinaturas:

http://www.avaaz.org/po/urgente_quilombolas_em_risco_c/?bFXWUbb&v=16624

De acordo com estudos, das três mil comunidades quilombolas que se estima haver no país, apenas 6% tiveram suas terras regularizadas. É um direito das comunidades remanescentes de escravos garantido pela Constituição, e responsabilidade do Poder Executivo emitir-lhes os títulos das terras. A cultura quilombola depende da terra para manter seu modo de vida tradicional e expulsar quilombolas dessas terras pode significar o fim de uma comunidade de 200 anos.

A comunidade do Rio dos Macacos tem até o dia 1º de agosto para sair do local e, após isso, sofrerá a remoção forçada. Entretanto, temos informações seguras que técnicos já elaboraram um parecer que reconhece o direito dos quilombolas, mas ele só tem validade quando for formalmente publicado e a comunidade corre o risco de ser expulsa nesse intervalo de tempo.

No caso do Rio dos Macacos, a pressão popular já funcionou uma vez, adiando a ação de despejo em 5 meses. Vamos nos juntar aos quilombolas e apelar para que o juiz da causa garanta a posse de terra dessa comunidade, e carimbe seu direito de viver em harmonia com suas terras. Assine a petição abaixo para impedir que a lentidão da burocracia acabe com uma comunidade tradicional:

http://www.avaaz.org/po/urgente_quilombolas_em_risco_c/?bFXWUbb&v=16624

Cada vez mais temos visto que, quando nos unimos, movemos montanhas e derrotamos gigantes. Vamos nos unir mais uma vez para garantir o direito de terra da comunidade quilombola Rio dos Macacos e dar paz as famílias que moram no local. Juntos podemos alcançar justiça!

Com esperança e determinação,

Pedro, Luis, Diego, Carol, Alice, Ricken e toda a equipe da Avaaz

Mais informações:

Balanço 2011 das Terras Quilombolas da Comissão Pró-Índio de São Paulo
http://www.cpisp.org.br/email/balanco11/img/Balan%C3%A7oTerrasQuilombolas2011.pdf

'Os militares infernizam a nossa vida', diz quilombola sobre disputa por terra (Último Segundo)
http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/ba/2012-07-22/os-militares-infernizam-a-nossa-vida-diz-quilombola-sobre-disputa-por-terra.html

Rio dos Macacos é quilombo, diz Incra (Tribuna da Bahia)
http://www.tribunadabahia.com.br/news.php?idAtual=122017

Rio dos Macacos: Defensoria pede suspensão da retirada de moradores (Correio)
http://www.correio24horas.com.br/noticias/detalhes/detalhes-1/artigo/rio-dos-macacos-defensoria-pede-suspensao-da-retirada-de-moradores/
A comunidade quilombola do Rio dos Macacos está lutando contra o tempo. Em apenas algumas dias, uma ordem da justiça pode tirar a comunidade das terras em que vive há mais de 200 anos. Somente uma grande mobilização popular pode impedir que a pressão da Marinha prevaleça. Junte-se a essa luta agora, e a Avaaz e o defensor público que defende os quilombolas entregarão a petição diretamente para o juiz quando alcançarmos 50.000 assinaturas:
http://www.avaaz.org/po/urgente_quilombolas_em_risco_c/?bFXWUbb&v=16624

quinta-feira, 26 de julho de 2012

A Saga do Herói Interno

Dentro de mim há um herói
Não fora, onde impera a covardia...
Mas dentro, em meu íntimo.
O herói que se complementa
e tem sua existência justificada
na interação com o outro, além de mim.
O herói que oferece o ombro amigo
mesmo quando é ele quem mais precisa
da atenção do outro...
O herói que luta para se desvencilhar
de tudo aquilo que sobrecarrega a jornada.
O herói que mata dragões que vivem
alojados em seu coração e na sua mente.
O herói que finge não sofrer
para não trazer o sofrimento a outrem.
O herói em sua saga e fado:
melhorar o seu mundo
melhorando a si mesmo.

26.07.2012

quinta-feira, 19 de julho de 2012

III Seminário Intolerância Religiosa e Racismo Faz Mal a Saúde


Toda intolerância e toda discriminação fazem mal, indubitavelmente, à saúde. O ser humano sempre criou formas de se diferenciar um grupo do outro. Nas sociedades tribais nômades, cuja sobrevivência estava ligada a posse temporária de um espaço de terra, as formas de diferenciação serviam para o objetivo de inculcar no grupo que o "diferente" era o inimigo, aquele adversário que disputava a mesma terra.
Hoje, a discriminação não consegue mais se escorar em quase nenhuma justificativa. A ciência, de uma forma geral, provou que não existe "raça" quando se refere às diferenças biológicas e culturais dos seres humanos. A homossexualidade não é mais entendida como um distúrbio ou uma doença.
Mas ainda esbarramos em preconceitos e em discriminações. Por conta da tonalidade da pele, do tipo de cabelo, cor de olhos... Pela escolha religiosa de cada um, também. Embora esteja garantido pela Constituição Federal a liberdade de culto religioso, o que vemos nas ruas e mesmo no mar navegável desta internet (não deveria ser "externet"?) é a verdadeira guerra santa. Até mesmo os ateus, que questionam as bases da religiosidade, acabam por criar uma "religião" de descrentes, impondo seus argumentos de forma muitas vezes fanática. Por outro lado, religiosos combatem ateus não respeitando o princípio do livre arbítrio.
E como se não bastasse, religiosos combatem insanamente outros religiosos!
Quanto tempo mais - com com quanto sangue ainda - levará para que o ser humano respeite o outro?

Acima, o cartaz do III Seminário "Intolerância Religiosa e Racismo faz mal à saúde". Vale a pena conferir.