sexta-feira, 25 de maio de 2012

Finalmente aprovada, em segundo turno, a PEC do Trabalho Escravo


Na noite de 22 de maio de 2012,  terça-feira, o Plenário da Câmara aprovou, em segundo turno, a Proposta de Emenda à Constituição 438/01, a PEC do Trabalho Escravo, a qual prevê a expropriação de imóveis rurais e urbanos onde a fiscalização encontrar exploração de trabalho escravo. Tais imóveis terão como destino a reforma agrária ou programas de habitação popular.
Desde o dia 31 de março de 2010 o Blog "Spartacus em prol da Liberdade" divulgou e fez campanha de coleta de assinaturas para o abaixo assinado em apoio à aprovação dessa PEC (Ver: http://spartacusemproldaliberdade.blogspot.com.br/2010/03/contra-escravidao-no-brasil.html).
Situação realmente vergonhosa para o Brasil, que já convive com a mácula histórica de ter sido uma das últimas nações a abolir a escravidão legalizada.
A esperança é de que realmente tenhamos avançado mais uma etapa e transcendido o paradigma da impunidade, pois se assim for, teremos enterrado - de uma vez por todas - essa vergonhosa prática de exploração do homem pelo homem.
Não é à toa que este blog carrega o nome de Spartacus. Foi ele escravizado sim, mas foi quem mais lutou em sua época pela liberdade! A sua luta é também a nossa!
Eu sou Spartacus!

Carlos Carvalho Cavalheiro.

 

domingo, 25 de março de 2012

Raul Seixas e Sorocaba


Estreiando nos cinemas, o documentário "Raul - O início, o fim e o meio", dirigido por Walter Carvalho, retoma aspectos da vida particular e profissional de um dos mais controvertidos artistas brasileiros: Raul Seixas.
Sou um dos poucos privilegiados por ter nascido antes da geração "Toca Raul" e poder, com isso, ter assistido ao vivo a um show desse cantor e compositor em Sorocaba / SP. Não estou menosprezando aqueles que não tiveram a oportunidade de ver pessoalmente o artista. Eu mesmo fui da geração "Toca Doors; toca Janis; toca Hendrix..." e tantos outros que, por um acaso, estavam mortos quando eu era adolescente. Mas tive essa oportunidade de ver, no dia 29 de julho de 1989, num sábado, o show "Panela do Diabo", com Raul Seixas, Marcelo Nova e a banda Envergadura Moral. Foi no Recreativo Campestre, se não me engano, o penúltimo show de Raul. Um mês depois, no dia 21 de agosto de 1989, Raul Seixas foi encontrado morto em seu apartamento.
Lembro-me como se fosse hoje o momento em que Marcelo Nova, cantando no palco e, supostamente cansado de ouvir o público pedir a presença do Raul, ter anunciado ao microfone: "Com vocês, Mister Raul Seixas!".
A imprensa da época notou que Raul Seixas estava debilitado fisicamente e que foi com dificuldade que venceu os dois lances de escada para subir ao palco. Nós, seus fãs, não percebemos isso. Vimos um Raul ativo, cheio de vida, que cantou sucessos do disco ainda não lançado - e que dava o nome ao Show - e outros de sua longa carreira. Arrepiou-nos quando abriu uma folha, como se fosse um pergaminho, e leu os artigos da "Lei de Telema": "Todo homem tem direito de pensar o que quiser / Todo homem tem direito de amar a quem quiser / Todo homem tem direito de viver como quiser / Todo homem tem direito de morrer quando quiser".
Ao fundo, a Banda Envergadura Moral e Marcelo Nova tocando "Sociedade Alternativa".
A notícia da morte de Raul nos deixou meio como órfãos. Em agosto de 1990 fundamos (eu, Hains Gerard Wolf Junior e Luciano Santos Danezi) o primeiro fã-clube de Raul Seixas e Beatles de Sorocaba: "Help / S.O.S", uma alusão às músicas de ambos. Com a extinção desse fã clube, eu e José Mário Ghiraldi fundamos outro fã-clube, agora específico do Raul, em março de 1991: "Mosca na Sopa". A ideia era pesquisar assuntos filosóficos e históricos que apareciam na música de Raul Seixas. Também durou pouco... Um ano ou um ano e pouco.
Relembrar Raul Seixas é como reconstruir uma identidade, lembrar quem fomos e quem gostaríamos de ser. A minha concepção de mundo foi moldada, em parte, por essa filosofia "raulseixista", como ele gostava de expressar.
Vamos aguardar a chegada do filme "Raul - O início, o fim e o meio" em Sorocaba e rememorar aqueles anos em que nos permitíamos sonhar com a Sociedade Alternativa.
Carlos Carvalho Cavalheiro.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Documentário sobre o Unhudo da Pedra Branca

Saiu no Jornal Independente, da cidade de Dois Córregos / SP:



Documentário sobre o Unhudo
Nos dias 16 e 17 de dezembro último, o professor, historiador, folclorista e poeta Carlos Carvalho Cavalheiro, que reside em Sorocaba, esteve em Dois Córregos e em Mineiros do Tietê. Acompanhado do advogado Ricardo Conrado Schadt, veio coletar material e realizar filmagens para um documentário sobre o Unhudo da Pedra Branca (foto: Pedra Branca), que pretende exibir em diversos locais, sobretudo nas duas cidades.O relato dessa viagem está no artigo “Em busca do Unhudo da Pedra Branca – Dois Córregos e Mineiros do Tietê”, escrito pelo professor Cavalheiro. O texto conta histórias que o autor e seu colega ouviram sobre o Unhudo nas duas cidades. Mas também versa sobre fatos históricos relativos aos dois municípios. O artigo, em sua íntegra, pode ser lido no site deste jornal: www.jidc.com.br


Jornal Independente

Matéria da edição nº 802 do dia 20/01/2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Los Omaguacas

Década de 1990 em Sorocaba... O sonho de uma América Latina livre estava no discurso poético de vários cantores e compositores. Nos de Chico Buarque, nos de Milton Nascimento, nos de Mercedes Sosa... E mesmo nos da nossa "irmã" estadunidense, Joan Baez...
A Praça Coronel Fernando Prestes era habitualmente utilizada como palco por um excelente grupo de música andina (creio que eram da Bolívia), chamado "Los Omaguacas". Tive a honra de trocar meia dúzia de palavras com Rosendo R. Martinez, o compositor do grupo. É claro que ele nem se lembra do fato, mas é para mim grata lembrança.
O grupo vendia fitas K7 com músicas próprias e de outros compositores. Quando iniciaram a venda de CDs, adquiri o meu (cuja capa ilustra este post).
Gosto muito de "Morena Linda" e "Libre como el viento", esta última um libelo à Liberdade: "Quiero cantar e volar como los pasaros / y ser libre como el viento"... Pena que não haja a letra completa das músicas, nem no encarte e nem na internet (pelo menos não as encontrei).
Já a música "Nunca digas nunca" eu pretendo usar como tema do filme de western que um dia vou dirigir e produzir... Isso se o Rosendo permitir, é claro. Mas a música é excelente.
Saudades desse tempo em que sonhávamos mais, vivíamos mais e ouvíamos mais a voz da nossa América Latina.
Será que algum dia "Los Omaguacas" retornam a Sorocaba?

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

A quem pertence a Terra?

É vergonha demais ao povo brasileiro
Não ter completado a obra da Abolição
Ter-se deixado guiar pelo interesseiro
Que usurpa aos pobres da Nação
Fazendo-os viver como nos tempos do cativeiro,
Dominando a terra pela força do dinheiro,
Mantendo a miséria como capataz da escravidão.

A terra que Deus criou para todo mundo
Não pode jamais ser de um só homem
Pois é da fertilidade da terra oriundo
O fruto do trabalho que sustenta e mata a fome
E se é sagrado o direito de viver profundo
Não pode o latifundiário vagabundo
Roubar do pobre até o que ele come.

Pois nenhum nasceu a não ser de mulher
Isso foi regra até para o nosso Salvador
Portanto, da mesma natureza, verdade é
Que somos iguais, sem tirar e nem pôr
O que nos difere é a ética, moral e fé
Mas no resto não há diferença qualquer
Posso isso garantir sem nenhum temor.

A terra não pertence a ninguém
A terra a todos pertence por herança
É pecado até vendê-la por qualquer vintém
Acreditando que o tesouro trará bonança
Mas se a Terra pertencesse a alguém
Seria de Deus; assim minha mente alcança,
Pois foi o Criador; mas nos deu a esperança
Quando se manifestou em Jerusalém.

Pois foi ali que Ele contra o rico admoestou
Alertando para o triste fim que o aguarda
Eis que tanto e muito tesouro juntou
Mas não há o que na chama não arda
Está no fim da vida, a estrada findou
Do tesouro guardado nada lhe adiantou
Nem mesmo seu manto, seu terno, sua farda.

Este Brasil que nasceu tão farto de terra
Dividido em capitanias, quintais fundos
Foi essa a semente que o progresso emperra
E que produz o amargo fruto do latifúndio
Que não tem planta e nem o gado berra
Improdutivo, a injustiça assim se encerra
Como a mais vergonhosa peste do mundo.

O lavrador pobre, expulso do campo seu
Não encontra na cidade onde se empregar
Descobre que tanto sacrifício não valeu
Que foram inúteis os lamentos e o rezar
E chora porque a esperança já morreu
Na cidade não tem nada que seja seu
Para a fome dos filhos poder matar

Mãos calejadas não sentem o flagelo
Porque a pele toda se endureceu
Do trabalho com a enxada ou o martelo
Em grossa casca a pele se converteu
Se as lágrimas fizessem esse serviço belo
Seria o coração duro como muro de castelo
Que nenhum inimigo jamais venceu.

Mas a tristeza embora massageie o coração
Não exercita esse músculo a ponto de enrijecê-lo
Mesmo que dite o ritmo em aceleração,
Ainda que exerça com muito maior zelo
O compasso do trabalho como na escravidão
Nem assim endurece o coração
Pois se trata de homem, não de camelo.

Terra, substantivo feminino, mulher
Violentada por postes, cercas de arame
Geme a dor do estupro, pede, requer
Que a justiça se faça contra esse infame
Que rouba os afagos e frutos que quer
Sem demonstrar amor ou carinho sequer
Sem se importar que o sangue alheio se derrame

A terra é de todos por herança divina
É do homem, das plantas e dos bichos também
Todos são interdependentes, a vida ensina
Uma mão depende doutra para o Amém
E se reconhece a vida como uma sina
A lei da fraternidade se determina
Instala-se a ética do comum bem.

A terra grita, geme toda a criação
Esgotados os recursos de seu ventre lindo
Devida a capitalista exploração
Pensando que o recurso fosse infindo
Acelerando o consumo e produção
Num ritmo intenso de aceleração
Os recursos da Terra foram exaurindo.

Mas que direito possuem eles sobre a Terra?
Se a posse do chão foi por meio de grilagem,
Ou tomada à força numa injusta guerra,
Ou com uso da violência e da capangagem,
Não importa onde: aqui ou na Inglaterra,
Se no campo, litoral ou no cume da Serra,
O nome de batismo disso é sacanagem.

Somos todos habitantes deste planeta
Deveríamos viver em comunidade
Numa casa sem muro e sem maçaneta
Para não excluirmos a humanidade:
Compartimentada em diversas saletas
Nossa humanidade ao do outro rejeita
Não enxerga a beleza da diversidade.

Ouço voz no deserto como profecia
Clamando pela justiça e honradez
Abandonando de vez a ganância que um dia
Foi a cicatriz da sua insensatez
Casando a liberdade com cidadania
União que dará o fruto da autonomia
Para recriar o Paraíso outra vez.

Carlos Carvalho Cavalheiro
05.01.2012

quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

110 anos de Sherlock Holmes



110 anos de Sherlock Holmes



(artigo publicado em 1997 no jornal “A Tribuna de Sorocaba”).
“Nenhum outro ano tornar-se-ia tão importante em minha vida como aquele 1887 em que encontrei pela primeira vez aquele que se tornaria o meu melhor amigo e com quem compartilharia das maiores aventuras contra os criminosos de então. Naquele momento, adquirimos o direito à vida eterna nas páginas literárias...”
Poderia ser mais ou menos assim a explicação por escrito do Dr. John H. Watson acerca do surgimento de um dos maiores personagens da ficção: o detetive Sherlock Holmes. De tão conhecida a sua figura, acabou por tornar-se o estereótipo do detetive particular (ou de consulta, como ele mesmo diria), com seu cachimbo, casaco, lupa e boné.
Há 110 anos, com a publicação de Um estudo em vermelho o escocês Sir Arthur Conan Doyle deu início a uma série literária composta de 56 contos e 4 novelas com as aventuras de Sherlock Holmes e Dr. John Watson. Trata-se de uma ficção tão bem elaborada que o próprio Holmes ganhou a sua “biografia”: Nasceu em 6 de janeiro de 1854. Estudou na Universidade de Cambridge. Foi sócio do Clube Diógenes, tocava violino com maestria e tinha seu consultório/residência na Baker Street, nº 221-B. Tantos detalhes criaram embaraços para Doyle que chegou a ser assediado por pessoas que imploravam para que ele apresentasse pessoalmente o grande detetive. Não criam tais pessoas que Holmes fosse apenas uma criação literária. De outra feita, Conan Doyle foi processado por leitores inconformados com a morte de Sherlock Holmes – e a conseqüente interrupção da série de livros – na aventura O problema final, na qual é narrada a luta corporal entre Holmes e o professor Moriarty nas cataratas de Reichenbach. Conan Doyle pretendia “assassinar” Holmes para poder se dedicar ao que ele chamava de “literatura séria”.
No entanto, foram exatamente os seus livros “pouco dignos” (usando a própria expressão de Doyle), com aventuras do detetive Holmes, que lhe renderam fama e estudos de leitores e associações como a Conan Doyle Literaty Society e a Sherlock Holmes Brasil.
Artigos foram escritos e publicados analisando aspectos diversos da literatura sherlockiana. Discutem-se datas, comparam-se fatos, focos narrativos (que em geral são na 3ª pessoas, eis que “escritos” por Watson...) entre outros. E suas histórias tão envolventes geram em todos os tempos legiões de pesquisadores sherlockianos.
Penso não ser de todo insensato arriscar o palpite de que Conan Doyle tenha criado Sherlock Holmes como forma de simbolizar sua própria vida naquele momento. Não é segredo que tenha criado Holmes em momento de certa frustração profissional, eis que não havia muitos pacientes em seu consultório de oftalmologia. Parece, então, que Watson representava o próprio Doyle naquele momento: um médico sem muita projeção profissional. Sherlock Holmes seria, então, o alter ego, o outro eu, o desejo de ser invencível, de ser excepcional. Ao mesmo tempo, não poderiam se dissociar a realidade e o desejo, assim como a amizade entre Holmes e Watson. Em verdade, até mesmo Sherlock Holmes aparece como um detetive iniciante em Um estudo em vermelho, o que se modifica radicalmente com a presença do Dr. Watson. Ambos necessitavam, um do outro. Eram complementares.
Seria essa hipótese pertinente? Quem saberá a verdade? Espero a resposta, no desfecho final, em que após a baforada do seu cachimbo o detetive dirá, palavras saindo de um sorriso: “Elementar, meu caro...”.

Carlos Carvalho Cavalheiro – 23.03.1997.

O site Buzzero está com um curso gratuito sobre Sherlock Holmes:
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sábado, 24 de dezembro de 2011

Governos de esquerda, Governos de direita

Recebi este banner por e-mail. O leitor que faça o seu próprio juízo.